domingo, 20 de janeiro de 2008

No hospital

Encontrei uma vidente. Ela olhou a minha mão, analisou, pensou e disse:

---- Huuuum, não posso falar nada pra você agora...

Eu não disse nada. Apenas continuei caminhando como vinha fazendo antes... Sabe como é, num parque, domingo, multidão, crianças, cachorros e cisnes, aquilo de certa forma estava me deixando confuso...
Deixei pra trás e quando vi estava em um hospital. Como aquilo?? Bom, essas horas melhor nem perguntar, deixei viver o momento mesmo.
Na sala de espera, ao meu lado, uma senhora, negra, gorda, e de pele rosada, perguntou-me:

---- Desde quando você é médico??

Respondi:

---- Até agora eu não sabia... Então, desde agora.

Ela se levantou abruptamente e puxando-me pela mão, ordenou:

---- Então, vamos lá meu filho, a coisa demora muito por aqui...

---- Mas calma senhora... A senhora acha que eu sou médico só por estar de roupa branca??

---- É médico sim, vamos lá, menino...

Não tinha o que fazer. Apenas fui.
Hospital público é brincadeira. Fez a velha senhora “criar” seu próprio médico..
Nesses hospitais a espera é tanta, o descaso é tanto, o problema é tão grande... Que ela resolveu dar um jeito do seu jeito. Muita dor e muito esquecimento naqueles velhos corredores.
E assim eu entrei na sala, examinei, tratei com carinho, dei atenção... E ela foi embora feliz da vida.
É, talvez eu até fui melhor que um médico do hospital mesmo... Porque?? Porque parei pra olhar nos olhos, pra sentir a dor que não era propriamente minha, e sorri de verdade para a linda senhora demonstrando cuidado e afeto.. Aliás, qual será o dia que as coisas vão começar a mudar por aqui?? Deixo a resposta pra gente mesmo.

CarlosCarlosSonhadordeTempos

Um comentário:

mari gomes disse...

quando os olhos atravessam miram direto a alma, é assim mesmo.

beijos querido,